Set? GO!
Abril 6, 2009
Eu odeio rodoviárias. E pontos de táxi. E aeroportos. E qualquer coisa que implique na partida de alguém, bem como a permanência de um outro alguém. Eu sou muito ruim para me desapegar, bom, em contrapartida, eu sou muito ruim para me apegar também, mas a questão é, eu me apego a algumas pessoas e eu, invariavelmente, preciso ir embora.
Então, novamente, eu estou indo. É amanhã. Eu venho planejando isto há quatro anos e o dia finalmente chegou, Alemanha, por seis meses.
Eu estou feliz, não me entenda mal, eu estou feliz mesmo e tenho um milhão de planos para quando eu voltar, mas eu não consigo deixar de pensar no que eu estou deixando para trás. Quero dizer, hipocrisias a parte, todo mundo é filho da puta e egocêntrico, eu inclusa, e eu não consigo deixar de pensar que, embora eu vá sentir falta de algumas pessoas e elas de mim, a vida continua. É perturbador pensar que as vidas das pessoas que te convenceram a confiar e a gostar delas, vai seguir quase intocada quando você for embora.
Parece que você não fez diferença alguma, que não mudou nada.
E então, você pensa que a sua vida também segue praticamente inalterada e que foi sua escolha deixar tudo para trás e tentar algo novo.
Mas de alguma maneira, em algum nível psicológico (psicologia tem níveis? Comofas/ Como funciona? Se eu chegar no level 11 eu ganho algum combo? Dúvidas que me mantém acordada durante a noite), isso me incomoda.
E eu não sou hipócrita o suficiente para dizer que não me incomoda, que não vêm me incomodando, que não vai me incomodar.
A minha sorte, é que eu vou ter muitas canecas de cerveja para me esquecer desta questão em particular. O meu azar, é que eu não gosto de cerveja.
FUCK YOU, MURPHY!!onze1″!!1
Da próxima vez, vou escolher o país pela bebida típica deles, pelo menos assim, eu vou poder esquecer o quanto eu odeio rodoviárias, pontos de táxi e aeroportos. E tudo o que eles representam. (DUTY FREE!)
Sobre Meios de Transporte e Afins
Fevereiro 26, 2009
O tema do blog é viagem, não é? Então eu suponho que eu esteja liberada para falar sobre meios de locomoção e as suas particularidades, não que, se eu não pudesse, isso fosse me parar, já que o blog é meu e se eu achar uma receita de brownie que eu ache primordial que o mundo saiba eu não vá postar mesmo assim, mas enfim, eu acho que cabe no tema.
Foda-se.
A questão é que tem coisas que eu não entendo. Eu reparei isso em navios, aviões, ônibus e até carros. Por que, Deus, por que, é tão FUCKING importante descer primeiro de qualquer meio de transporte?
Repare, quando você está no avião, o dito cujo mal tocou o chão e já tem nego abrindo aquela porra daquele bagageiro e jogando malas de até trinta centímetros de espessura e vinte e cinco mil quilos na sua nuca. Aí a galera vem e pede desculpa, como se isso fosse anular o fato de você ter conseguido uma lesão cervical permanente.
Viados.
Aí, todo mundo se amontoa na portinha em frente a aeromoça, que olha a multidão enraivecida com pânico e tenta, de qualquer forma, refrear aquela massa de gente.
É uma coisa dolorida de se assistir.
E você, como o ser pensante que é, pensa que está livre dessa babaquice global, que você tem discernimento o suficiente para saber que o avião não vai voltar a decolar até que TODO MUNDO esteja fora do mesmo, mas você não tem. Quando você vê a galera se apinhando em volta da pobre aeromoça, você também se levanta da sua poltrona, pega o seu container e dá cotovelada em todo mundo para sair primeiro.
Sei lá, nunca se sabe, eu sempre acho que há a probabilidade de todas as pessoas gentis que dividiram o vôo com você, virarem potenciais ladrões de mala. Por isso, é primordial que eu chegue na esteira primeiro, e que fique perto de onde as malas saem.
Claro que isso não vai acontecer, claro que eles conferem o número do seu ticket de bagagem, claro que se você chegar primeiro na esteira das malas, há a probabilidade real que a sua mala vá ser a última a ser colocada na esteira, só de filha da putagem do universo. Mas mesmo assim, você sai correndo como se a sua vida dependesse disso.
E eu simplesmente não entendo.
A mesma coisa com o ônibus. POR QUE tanto desespero para levantar e ficar dançando o maxixe com os outros passageiros no corredor estreito? Se você der um grito do final do ônibus que você quer descer, o motorista vai te esperar, e vai pegar a sua mala no porta-malas também, você só tem que descer do ônibus com toda graça e leveza que possui.
Mas a mesma coisa estranha te impele a ficar em pé assim que você entra no bairro que você quer descer, ou na cidade, sei lá. E você fica lá, cheirando o cangote dos outros até o ônibus parar, só para poder pegar a sua mala primeiro.
É uma coisa muito idiota.
Porque o motorista tem que abrir o bagageiro e tirar as vinte e três malas que foram colocadas antes da sua até alcançar a que você quer, enquanto isso, a galera que desceu depois, pega as suas respectivas malas e passa com o carrinho no seu pé, só de tiração, por você ter descido do ônibus antes deles.
Por isso que eu acho que a humanidade está fadada a extinção. Nós temos o discernimento necessário para julgar as coisas, mas, mesmo assim, por picuinha, passamos a roda do carrinho no pé dos outros e arremessamos bagagens na nuca dos demais, é um comportamento simplesmente bárbaro que nos levará ao nosso fim.
Escute o que eu estou dizendo.
Orlando 11.0
Fevereiro 26, 2009
Não que eu saiba como vai a vida de vocês. Não que vocês se importem. Ou eu. Mas eu to muito sem ter o que fazer, por isso eu resolvi escrever. Não que eu deva satisfações, também.
O natal ta chegando. Eu meio que queria estar em casa.
Enfim. Sabe aquela história de olhar o mundo com positividade e não falar mal de ninguém pelas costas mas sim, adotar uma postura positiva com relação a todos? Então, essa merda hippie não serve para mim. Ta na minha natureza falar mal das pessoas e repetir o que eu disse na cara delas através de ironias, só para ver até onde elas chegam. Normalmente, eu estou certa sobre as tais pessoas e elas não chegam a lugar nenhum e ficam me olhando com cara de UÉ.
Tudo isso pra falar que eu vou arrancar as costelas da Karen e usá-las como chapéu. VAI PRA PUTA QUE O PARIU. Ela é uma MORTA, gente, completamente morta. Sente só: A louça tava um puta zona, porque eu, a Mayra e a Lari tivemos que sair voando para o trabalho, era day off dela, custava a féladaputa gastar meia hora e dar um jeito na louça? Aparentemente, sim. Porque eu voltei, tinha, além de tudo o que nós três tínhamos usados RESTOS DE CARNE DE SOJA NUM POTINHO. Eu não confio em pessoas que comem carne de soja: NÃO É CARNE, É SOJA! PÁRA DE SE ENGANAR!
A questão é que a louça continuava lá. E quem arrumou no final das contas fui eu, porque eu liguei pro trabalho e disse que eu não ia porque estava doente. Eu realmente estou doente, mas a verdade, é que eu, a May e a Lari tínhamos ficado até quatro e meia da manhã conversando e eu tinha que acordar às sete.
Malandrona eu. Vim de Santos. Charlie Brown.
Aí eu peguei e fiz um Brownie. E linearidade na redação é coisa de gente retardada, acompanhem o meu raciocínio avançado e contentem-se, enfim, ai estávamos eu, o Amano e a Karen aqui em casa. Aí a karen vira pra mim e pergunta: Nossa! Mas que brownie maravilhoso! É com crispis de caramelo?
Ai o Amano me olhou, eu olhei para ele e a pergunta que pairava no ar era: crisps de caramelo? Comofas/
A questão é que a mina é uma porta de burra. Ah é! Aí ela queria abrir uma embalagem que tava colada com um esparadrapo e é aquele esparadrapo duro que não rompe por nada, sabe? Aí ela ficou minutos preciosos puxando aquela merda por todos os ângulos possíveis e imagináveis. E a cena dos caramelos se repetiu: eu olhei pra ele, ele me olhou e a pergunta que pairava no ar, dessa vez, era: meu caralho, como alguém pode ser tão ESTÚPIDO?
Aí eu não me contive e mandei ela cortar aquilo com uma faca. Sei lá, burrice crônica me irrita.
Ta, a questão é que eu voltei a odiar essa mina com o fogo de mil sóis, e o único motivo pelo qual eu não apavorei ela (MWAHAHAHA) é que eu prometi para a Lari que eu ia manter o ambiente do lar saudável até o natal.
Que é hoje. Então, amanhã eu posso ser vaca. ADORO.
Ah, hoje é natal. Eu to com saudades do Brasil, to mesmo, até chorei, coisa que eu não faço por saudades, mas mesmo se eu pudesse, eu não voltaria para o Brasil, não agora. Meu, vir pra cá foi a melhor coisa que eu fiz. Dá um desespero da porra ver que tu tem três dólares na carteira e que o seu paycheck só sai dali há cinco dias, mas eu aprendi bastante com isso. E a cuidar da casa e a cozinhar e tudo mais.
Quando eu voltar, eu quero um emprego, amei essa história de ter o meu dinheiro, da vontade de chorar de tanta felicidade quando tu compra um coisa com o fruto do seu esforço.
Bom, a questão é que hoje é natal, e eu entro no trabalho daqui há quatro horas e eu não jantei ainda. He.
Orlando 10.0
Fevereiro 26, 2009
Faz tempo que eu não escrevo, né? Não? Sei lá. Como eu já disse, Disney é pic um túnel do tempo, eles organizam a sua grade no trabalho com o propósito de te fazer perder a noção de dia, mês e ano. Eu saquei qual é a da Disney. Ela quer dissolver o nosso cérebro até virar uma bola disforme que fica verdadeiramente feliz em exibir aquele sorrisinho nojento do look disney o dia todo.
Aparentemente, a metamorfose ainda não atingiu os seus propósitos nessa que vos fala.
O que eu tenho pra contar?
No quesito festas, o movimento anda meio fraco, ou não, sei lá. Eu sou uma proletariada e, como tal, a minha grana é curta, o tempo também e o sono é grande. Então se eu não for dormir cedo, morrerei na piscina.
Ah, e por falar em piscina, eu não agüento mais essas crianças remelentas. Serio, ta oito graus Celsius, moçada, não é para nadar, e morar no Canadá não é uma desculpa boa o suficiente. Retardo é. Como eu já disse, eu não acho que a nacionalidade das pessoas as faça idiotas, mas sure as hell ajuda. Bom, a história é basicamente essa: faz oito graus e a gente não pode fechar a piscina porque tem sempre um canadense muito espirituoso com o seu calção largo e feio enchendo o saco.
Aí tem o cenário B do meu ambiente de trabalho, que é o calor escaldante. Eu não sei qual é a da Florida, na boa. Eu acho que é só um puta complô contra o meu resfriado que ainda não ta lá essas coisas, mas enfim, a questão é que tem dia que eu trabalho sob o sol a pino. E nesses dias, eu volto para casa igualzinha uma caminhoneira: com a marca no braço e tudo mais. E com a barriga branca, daquele jeitinho que vocês viram quando eu tava no Brasil. Sério, é uma ameaça ao senso do ridículo.
Eu trabalhei treze horas e meia um dia desses aí. Yeap, treze horas e meia, no final da noite eu ficava repetindo mentalmente a quantia que eu estava embolsando naquele dia pra agüentar aquele highway to hell, porque meu deus, você faz um milhão de coisas, aí você olha no relógio e PASSARAM DEZ MINUTOS. DEZ! HISTÓRIA VERIDICA! O fuso do meu local de trabalho é diferente do fuso do resto do universo. É tipo o microondas, já repararam que os dois minutos que vocês põe no microondas simplesmente parecem NÃO PASSAR? Pois é, é assim no meu trabalho.
Em compensação, eu gosto daquele pessoal. Tem só uma chinesa que o namorado dela dorme de calça jeans todo dia. Ou que o cinto de castidade dela fica apertando, sei lá. Eu seu que é a mina mais mal humorada que eu já vi na vida. E as minas são meio mimimi-sou-kind-of-frequinha, mas elas são gente boa e eu sou completamente crica, então releva-se a minha impressão das pessoas.
Menos da chinesa, aquela chinesa é foda. Acho que é porque o nome dela é impronunciável para cinco sextos do mundo. Acho que isso me deixaria mal humorada também.
Hoje é meu aniversário! E eu ganhei um broche que diz que hoje é meu aniversário e todos os cast members são obrigados e ma cumprimentar. Eu passei por todo mundo que eu vi umas vinte vezes, só para eles falarem “happy birthday!” só pra encher o saco.
Eu sei que é filha da putagem, mas me fez sentir uma realização enorme. E é meu aniversário, se eu quiser importunar os outros, eu importuno.
Almocei na Itália, hoje, lá no Epcot, foi a melhor coisa que eu comi desde que eu cheguei. Fomos eu, o Amano e a Lari, o resto da galera tava tudo trabalhando, o que significa que eu vou sair com eles a noite, que será daqui a pouco. Muy bueno. Eu fiz questão de ficar fora o dia inteiro para não lembrar que eu to longe da minha família e de todos vocês. Eu sei que eu sou mega estranha bad ass, mas eu tenho um coração, bem lá no fundo e eu to com saudades, pô.
Orlando 9.0
Fevereiro 23, 2009
Finalmente fui trabalhar! E descobri que sou uma escrava, obrigada a se sujeitar a esta natureza inóspita e cruel. A parte boa, é que eu recebo 8,14 dólares por cada hora de escravidão, a parte ruim é que o meu resfriado que já estava indo muito bem, obrigada (apesar da minha voz ainda estar de traveco), ferrou-se de novo. E eu culpo o trabalho. E a natureza inóspita. E o universo, claro.
Apesar das condições climáticas tão pouco favoráveis, eu amei o meu trabalho. Não é difícil, eu só tenho que ficar ligada em tudo o que acontece e saber agir caso algo de ruim aconteça. Não é fácil quando você ta morrendo de sono, frio e fome, mas é o melhor trampo que tem por aqui. Além do mais, os meus co-workers foram um amor comigo, e os meus trainers também, e a minha coordenadora também.
Os únicos filhos das putas cujas mulheres dormem de calças jeans, são os managers. Teve uma puta treta ontem no trabalho, porque quando ta abaixo de 50º F, eles falam pro lifegurads ficarem off stand, que é basicamente parar de trabalhar e ir para algum lugar fechado. Bom, ontem tava 44 graus e a nossa coordenadora tava surtando que a gente tava no frio, só que ela só pode tirar a gente dos nossos postos, com a aprovação do manager, só que os filhos das putas não atendiam os telefones, então ela pegou e mandou a gente sair. Acontece que o manager ficou sabendo, deu uma puta comida de rabo nela e mandou a gente voltar a abrir os postos, isso a 43 graus e faltando 20 minutos pra acabar o nosso turno de qualquer maneira.
Ai teve uma comoção coletiva, da qual eu fui convidada a fazer parte e foi isso. Drama, drama, drama. No meu primeiro dia de trabalho.
Ah! E eu ganhei um protetor labial que cheira a piña colada! Não que isso tenha a ver com o assunto, só tô falando para descontrair o ambiente.
O que mais?
Ah, teve get togheter na casa de um dos nossos amigos ontem, mas eu nem fui. eu tava morta, com frio, doente e acordei seis da matina hoje. Acredita? Meu eu-Disney rejeitando uma festa. Sacrilégio. Tudo bem, eu já olhei o meu horário na semana que vem e só tem um dia que eu entro de manhã, então eu posso ir no house of blues, no roxy (que, segundo prega a lenda urbana, é um bar com motivo erótico que se canta caraoquê. Coerência o ó) e no bufalo, que, aliás, é hoje, mas eu não vou porque eu tenho que acordar as cinco amanhã.
Algo sobre social security number. E sobre o passaporte, sei lá, eu tava meio que pescando nessa hora. Eu sei que eu vou ficar pronta lá pelas cinco e meia pra seuir a massa de gente, porque eu não faço idéia de onde eu deva ir.
Outra coisa que provavelmente foi dita enquanto eu tava pescando. Eu preciso parar com isso, péssima técnica de aprendizagem, péssima.
Eu deveria estar lavando a louça agora, mas como eu já disse, é só isso o que eu faço aqui: lavar e guardar a louça. Sei lá, eu tenho a impressão que eu lavo e guardo tudo, aí eu viro de costas e uma colher safada se enfiou na pia só pra incomodar.
Eu tenho essa teoria que os talhares têm vida própria aqui, principalmente as colheres. As forças do mal as controlam, ouçam o que eu digo.
Tô com sono. E a umidade relativa do ar ta me deixando levemente perturbada. Ou não, que seja. Vou dormir. Ah, não, vou lavar a louça primeiro. Que merda.
Enfim, boníssima noite para vocês. Ou dia. Sei lá. Fuso horário e tal.
Beijão!
(Mari, não se estressa, amiga. Instrutores de auto-escola são infelizes porque a mulher/marido deles dorme de calças jeans. Você é melhor e mais forte que isso, eu acredito em você!)
Orlando 8.0
Fevereiro 23, 2009
MEU! A COISA MAIS HILÁRIA DO UNIVERSO ACONTECEU ONTEM!
Na Disney toda (nos EUA todo, no universo todo… não faço nem idéia) tem essa coisa que chama Sprincles (que provavelmente não se escreve assim). É uma mangueirinha que liga do nada para molhar as plantas, ai fica aquele jatinho fino d’ água até não sei quando (na verdade eu sei. Ele liga no minuto que você está com mais frio e enquanto você está passando, e desliga no instante que você vai embora. É bem inconveniente).
Ta, se chama spincles também, o negócio que fica no teto ao lado do detector de fumaça nos apartamentos. Na nossa primeira entrevista aqui, falaram que o detector de fumaça faz um puta de um xabu quando detecta fumaça e que os sprincles alagam o apartamento. Aí uma mina perguntou:
- E se nós não ouvirmos os detectores?
- Ah, não se preocupem, vocês vão ouvir. – respondeu a palestrante com um ar profético.
Beleza. A lei de conhecimento geral do condomínio é: não acenderás um fósforo debaixo do sprincle/detector de fumaça e tudo ficará bem. Amém.
Aí, nós fomos fritar bife. Na cozinha. Bem longe do detector de fumaça.
Estávamos lá, fritando o bife felizes da vida, quando eu tive a brilhante idéia de colocar cebolas no bife pra dar um gostinho melhor. Estava eu fazendo o molho do bife quando: PÉÉÉÉÉÉÉÉ PÉÉÉÉÉÉ PÉÉÉÉÉÉÉ.
O detector de fumaça. Fazendo um barulho filho de uma puta, de cortar o coração e desesperar até o mais calmo dos seres humanos. Mas eu não sou a mais calma dos seres humanos. Então o que eu fiz? Entrei em pânico, lógico.
Eu peguei o cabo da panela e, segundo a Mayra, comecei a fazer a dança da panela no meio da cozinha, que consiste em pulinhos e gritos de “aí meu deus! E agora? E agora?”. Então eu fiz a única coisa inteligente que eu poderia fazer sem desperdiçar as cebolas: Eu abri a porta do apartamento e coloquei a panela fumegante no chão, do lado de fora.
Mas aquela porra não parava de apitar, e era alto pra cacete! Aí todos os nossos vizinhos de porta saíram do apartamento com aquela cara de cego em tiroteio e começaram: o que fooooi? O que foi? Porra, o que tu acha que foi, filho da puta? Essa merda de detector de fumaça ta de tiração! Eu pensei, mas eu estou adotando essa nova postura com relação ao mundo, onde eu tento projetar uma imagem positiva, minha e dos outros.
NOT.
Ta, eu não falei nada porque eu tava muito ocupada voltando correndo pro apartamento e agarrando o meu laptop e fazendo com ele a mesma coisa que eu fiz com a panela: colocando no capacho do lado de fora.
Enquanto isso, a Karen (a famosa, que É a pessoa mais calma do mundo), tava abrindo todas as janelas e portas do apartamento. Eu achei brilhante e fui ajudar. Aí quando a gente acabou, a gente saiu do ap e ficamos olhando pelo lado de fora, rezando pros sprincles não ligarem.
Deus, eles não ligaram!
Aí o apito parou, eu peguei a minha panela e voltei para casa. Enquanto as vizinhas tinham saído correndo da casa sem a chave da mesma, por isso, estavam trancadas pra fora de casa. Bem feito. Mexeriqueiras.
A moral da história é: fritar bife – Oka.
Fritar bife com cebola – não, não, não.
Eu acho. Sei lá, não entendi muito bem a dinâmica da coisa.
Lembra que eu falei tinha uma festa no Epcot ontem? Então, nós, todos os cast member, bem vestidos e arrumadinhos, entramos pelos backstage e saímos em Londres (Londres, Pedro!), aí, a gente entrou numa porta X lá e do NADA: eis que surge um salão ENORME.
O salão estava todo decorado com motivos do Hércules. E tinha comida de graça! E tinha um DJ, e cadeiras e mesas lindamente engomadas. E manja aquelas formaturas norte americanas que a gente vê em filmes? Era EXATAMENTE assim. Tinha até as americanas bregas com vestidos até o pé e coroas na cabeça, sei lá, vai ver elas ficaram confusas e acharam que seriam prom queens e teriam o direito de ficar dando tchauzinho pra garotada no topo do castelo da Cinderella, lá no Magic Kingdom.
Eu sou da opinião que babaquice não tem nacionalidade, mas sei lá, às vezes ajuda.
A festa foi o máximo. As músicas foram o máximo, eu dancei até salsa, mesmo não tendo idéia de como se dança isso. E tocou uma música da Ivete Sangalo, e os gringos ficavam olhando pra gente, que parecia um bando de pinto no lixo, dançar e gritar naquele ritmo meio coreografado. Foi ridículo, eu amei.
Eu tava completamente sem voz ontem e hoje também não ta grande coisa. Suponho que mergulhar na piscina pra fazer CPR em um boneco não vá me ajudar. Mas é isso aí. Tenho que ir almoçar porque o meu ônibus passa em meia hora.
Beijãão!
(pra quem foi amorzinho e respondeu o meu email, eu mando a resposta hoje quando eu voltar! Trabalhar das duas às dez e meia da noite é de foder o bambu, maaaas, eu vou ser remunerada por isso, então, tô dentro!)
Orlando 7.0
Fevereiro 23, 2009
Sei lá, a vida é bem estranha. Num minuto eu to achando que a Karen é o mostro do lago Ness e no outro a gente ta trocando chamadas no nextel e falando mal da vida alheia.
Não é que eu seja vira-casaca, mas é que eu estou sempre pensando em como fazer o meu living environment (como fala isso? Ambiente vivido? De vida? De onde se vive? Sei lá) melhor… Sabe? Ta, foda-se, eu tive um dia difícil e ela foi solícita ao meu sofrimento. E eu não devo explicações, okaaa? E eu to virada e o meu humor anda muito instável. Já vou chegar nessa parte do relato, só queria deixar algumas coisas claras antes: Mulheres se juntam nas animosidades masculinas. Ela brigou com o namorado e explanou sobre o assunto, eu fui solicita porque é o meu dever cívico como mulher, e a coisa toda evoluiu daí.
Que seja.
Hoje foi o meu primeiro dia de trabalho e GUESS WHAT? Não trabalhei. É de foder o bambu, né? Eu cheguei lá oito da manhã desesperada, achando que eu tava atrasada, ai eu encontrei o meu co-worker que fala-engraçado-mora-no-recife e ele me convenceu a olhar o site pra ver se eu tava escalada para as oito mesmo. Ta, era oito e meia. Mas eu juro que tava oito antes, essa merda muda durante o meu sono.
Enfim, vi um monte de vídeo babaca sobre nada e coisa alguma (há a possibilidade das minhas pálpebras fechadas não terem me ajudado muito a absorver o conteúdo dos vídeos, algo a se pensar). Aí a gente se encontrou com uma mulher que fez um tour meia boca com a gente num carrinho de golfe e de repente: pronto, vai pra casa. Meu, fiquei puta. Eu quero trabalhar! Eu quero dançar YMCA na piscina todo dia às 4 da tarde (yeap)! Eu quero começar a interagir!
Ta, foda-se, então essa merda toda começa amanhã às 3, o que é ótimo, porque hoje tem festinha.
E por falar em festinha, lembra que eu disse que eu tava fodida e mal paga e um verdadeiro trapo humano? Pois é. Eu tava mesmo. Então ontem eu levantei, fui com a Mayra buscar o nosso paycheck (TRINTA E DOIS DÓLARES, MEU! UHUUUUUUL! TO MILHONÁRIA MERMÃO! E o mais triste, é pensar que o meu foi o mas alto) e pegar as minhas costumes. Galera, eu to usando maiô 28, roupa XS e mesmo assim, ta um saco. Eu fico imaginando como as chinesinhas fazem. Como os anões fazem? Eles não são contratados? Eles não têm o disney look? Isso não é descriminação? O que o sindicato dos anões pensa sobre isso? Dúvidas que me matem acordada a noite toda.
Moving on.
Aí eu tava me sentindo um lixo, por isso, eu peguei e fui pro Epcot. Fui só eu a May e um amigo nosso, praticamente só para ver os fogos, já que a gente chegou tarde pra cacete, mas o parque tava às moscas, aí a gente foi no simulador de asa delta, no simulador espacial, etc.
Ah! O parque tava às moscas porque teve um tornado ontem aqui! Yeap, de verdade. Passou há cinco milhas de onde eu trabalho, a galera que tava lá falou que tava um verdadeiro pandemônio e que tava tudo voando. Deve ter sido irado. Talvez poético seja o termo correto. Que seja, eu sei que o Amano (o tal amigo meu e da May) falou que o Ronan ligou pra ele animadão, falando:
R: Você viu? Ta tendo um tornado!
A: Ah, é, eu tava vendo o canal de esportes aí passou o anuncio.
R: É!
A: Merda, né? O tempo ta louco.
R: Merda? MERDA? Eu to achando IRADO! Meu primeiro tornado! Você é chato, eu to ligando pra todo mundo pra toca o terror e você não ta com medo, vou ligar pra mais alguém.
E desligou. Deve ter alguma cultura que adota o comportamento do Ronan como padrão. Eu não descobri qual ainda.
Bom, nós vimos os fogos e depois tinha baladeeeenha. Eu tava morta. Tava chovendo oceanos. Ventando tornados (literalmente). E eu começava a trabalhar às oito (era oito! Alguém mudou meu horário!). Aí eu peguei e fui. Coitada da May, não ia ser justo com ela. E lugar de descansar é no Brasil, eu vim aqui pra ralar e acabar com a minha saúde, grata.
Aí a gente foi pro House of Blues, IRADO. AMEY. QUERO UM. Gente, agrada todos os gostos. Tem uma galera semi nua no palco, homem e mulher. Tem música velha e nova. Tem gente de tudo quanto é nacionalidade. Sei lá, super dispenso a galera semi nua se roçando e dançando o maxixe (ou o cazzo que estivessem dançando), mas a questão é: se você curte esse tipo de coisa, TEM!
Bom, foi irado, cheguei lá tarde pra porra e fui embora mais de duas e meia, voltei nos ônibus da Disney (quase me de vontade de voltar de ônibus de linha só pra passar pela catraca mágica, mas eu to mais dura que pau de noivo, sooooo).
Aí, três horas depois eu tava up e fui pro trabalho!
To morrendo de sono e tem festa hoje. A disney vai fechar o epcot hoje a noite e vai ter jantar só para os cast members, VIP, BABY! Então, voy dormir.
Beigos!
Orlando 6.0
Fevereiro 23, 2009
Não é que eu seja dramática, é que às vezes eu sinto que o universo faz as coisas SÓ pra me aborrecer, como se fosse uma rixa pessoal, como se ele realmente não fosse com a minha cara, ou como se ele estivesse tentando compensar o fato que eu tava tão feliz e de boa aqui na minha. Sei lá, qual é a dele, a questão é que eu só me fodo. E eu culpo o universo.
E oka, talvez eu seja um pouquinho dramática. Mas eu prefiro encarar este traço na minha personalidade como didática, que visa apenas que todo mundo entenda a proporção das coisas que acontecem comigo.
Que seja, a merda é que eu não acho justo ficar com febre nos meus dias de folga. Não mesmo, principalmente quando no dia seguinte, eu vou ter que trabalhar, entrar na água e ficar o resto do dia secando ao tempo. Aí, esperta que sou, comprei um pote de advil e de vitamina C. Eu sempre achei que essa parada da vitamina C fosse lenda urbana, mas eu estou disposta a tentar.
Que se foda, eu to doente, não tenho dipirona porque essa coisinha maravilhosa e inofensiva é ilegal aqui (absurdo, absurdo) e to mal humorada porque a Karen AINDA não me deu os meus 29 dólares e 80 cents das compras da primeira semana. E tem mais 14 das compras desta semana. Eu não quero saber, eu vou caçar essa mina até o inferno se ela não me pagar. Podem esperar “INTEGRANTE DO PROGRAMA INTERNATIONAL COLEGE PROGRAM, DA DISNEY, MATA ROOM MATE POR (29,80+14) DÓLARES!” (matemática e talz…)
Sensacional. Sei lá, eu achei.
Enfim, ontem, mesmo capegando, eu decidi que a vida era muito curta e que já que todo mundo ia morrer um dia, não ia ter problema se eu pegasse um ônibus de linha que atravessa a cidade só pra ir no shopping. Choquei. Tem uma maquininha que engole o seu dinheiro quando você entra no ônibus, aí, quando você deposita a quantia exata (e se você põe a mais, ela não devolve, olha que conveniente) ela apita, acende uma luz verde e você vai todo pimpão se sentar.
Tecnologia de primeiro mundo. Tudo bem que o sistema de votação deles é crasso, e que nem cristo me convence que aquela história de colégio eleitoral é democrática, mas eu paguei um pau para o sistema de cobrança dos ônibus.
Enfim, demoramos (eu e a Mayra, minha roomie que é um amor. O bizarro, é que ela é da PUC e certeza que eu já cruzei com ela pelo menos uma vez na vida) a bagatela de UMA HORA E QUARENTA pra chegar aonde a gente queria. E gente, americano e brasileiro em ônibus é tudo a mesma merda. Tem sempre um zica ouvindo música alta e cantando, a diferença é que aqui não é funk, é rap (o que dá na mesma, na minha opinião). O ônibus também fica abarrotado de gente e a galera vai em pé sentindo um o cangote do outro e balança no compasso do busão.
Me senti em casa.
Que seja, fomos no best buy antes do shopping, e choquem, choquem: eles atravessam a rua APENAS na faixa e quando o sinal ta verde para eles. Eu e a Mayra, com a nossa mentalidade brasileira, não entendemos nada e ficamos levemente desnorteadas. Foi como se a gente finalmente entendesse a dimensão do choque cultural.
Ta, eu comprei a minha máquina *-* Ela é roooooosa.
Quando a gente tava voltando pro shopping, tinha uma pá de zica gritando no meio da rua, sei lá, eu sei que eu mimorri de medo e fui andar no meio da rua. Sou muito mais ser atropelada do que ter que trocar uma palavra com aquela galera. Serião, foi tenso, eu realmente me senti no Brasil, to make long story short, quando a gente saiu do shopping, eles estavam em pé numa roda e tinha uns carros com sirenes e luzes brilhantes do lado deles. Eu lembro que eu pensei que existia justiça no mundo, afinal. Mas não muita, porque eu acabei de acordar e ainda tô um trapo humano.
Tá, a gente deu uma voltinha no shopping e ficamos mais uma singela horinha no ônibus para voltar para casa. (:
Cara, o que vocês tão fazendo da vida?
Orlando 5.0
Fevereiro 23, 2009
Retificação: Quem fez O Naufrago foi o Tom Hanks, e eu não me lembro quem é o Nicolas Cage.
Tenham todos um bom dia.
… DESCOBRI. Ah, vai, eles são iguais. Praticamente. Não? Oka.
Ontem teve Epcot. Ontem teve Black Friday e eu fiquei na rua até as duas/duas e meia. To com sono, doente e fome. E mal humorada. E o meu secador de cabelo não funciona. E eu não comprei a máquina fotográfica ainda. E eu queria muito que a fada da arrumação viesse aqui e guardasse a louça nos armários. Às vezes eu tenho a impressão que é só isso que eu faço: guardar a louça. E lavar também, porque aquela vaca morta e inútil da Karen não se MEXE.
Ontem foi dia de faxina e ela parecia uma princesa desfilando pelo apartamento, não só NÃO AJUDANDO, como SUJANDO o que eu tinha acabado de limpar, claro que, com todo garbo e elegância que eu possuo, eu disse: Hey, querida, a louça do seu café da manhã ta na pia. Ela me olhou como se eu a estivesse ofendendo mortalmente por insinuar que ela teria que lavar a louça.
Foi o melhor momento da minha manhã.
Eu disse que antes de ontem teve festinha no condomínio? Sei lá, acho que não. Se eu disse, então pula o parágrafo. Mas enfim, na véspera do Thanks Giving, o condomínio ofereceu jantar para todos os cast members. Claro que parecia uma bandeijão. Claro que a gente teve que sentar no chão frio. Mas foi muy divertido. Tinha uma festinha na piscina também, eu fiquei lá uma meia horinha fazendo social (eu faço social, gente! Sou uma pessoa nova, evoluída, e mudada), aí depois teve get togheter no ap de um dos nossos amigos e a gente foi pra lá. Foi, no mínimo…. Bizarro. A cariocada tava meio que perdendo a linha no créu. Juro por Deus, gente, eu cheguei lá umas onze da noite tava tocando créu ATÉ A UMA DA MANHÃ. Ai eu cansei daquele canto da sala e fui pro ambiente B, aonde tava o pessoal que é Lifeguard comigo, aí do nada, eis que surge o Ronan.
Sei lá, o universo é minúsculo e ele foi pro mesmo get togheter que eu, embora eu ache que ele não lembre muito bem da coisa toda. Ah não, ele lembra sim, porque ontem eu tava saindo do Epcot e eu encontrei com ele de novo. Não era difícil reconhecer: o único abestado na Florida que não teve a idéia de levar pelo menos um moletom para o parque. Ele disse que teve a idéia, mas que esqueceu de pegar, o que nos traz de volta para afirmação do abestado.
Enfim, até aconteceu mais coisa (aliás, acontece MUITA coisa por dia, esse lugar me deixa chocada) mas eu to com fome, e eu quero ir pro animal kingdom zoar a Dani e andar na montanha russa, então…
Beigos, galerë.
(Todo mundo aqui fala galerë, agora. Eu sou uma influencia muito positiva na vida das pessoas, he)
Orlando 4.0
Fevereiro 23, 2009
Saudações norte americanas! (que, segundo o meu poder de observação me fez perceber, é a mesma merda que saudações brasileiras, mas as minhas vizinhas de porta gringas trazem biscoitos – o melhor biscoito que a gente já comeu, diga-se de passagem – para nós, então, Olá e Biscoitos!)
Espero que todos estejam bem! Bom, eu sei que vocês estão, eu falei com todos vocês de um jeito ou de outro ainda essa semana, mas só para não perder o costume, como vão?
Ah é, por falar em semana, não existe esse negócio de dia de semana na disney, eu to completamente perdida, me sinto como o Nicolas Cage em O Naufrago, completamente sem noção de dia, horário e afins. O bizarro é que os turnos mais loucos acontecem… sei lá, no domingo,aí, do nada, numa quarta feira perdida, eu vou trabalhar até as dez e meia da noite, tipo, quem fica na piscina NO INVERNO, NA FLÓRIDA ATÉ DEZ E MEIA DA NOITE? Bom, eu vou ganhar hora extra esse dia, então to de buenas.
Eu gosto da minha profissão, gosto dos meus co-workers, gosto de duas das minhas roomies (são três, até que, para os meus padrões, eu gosto de bastante gente.). Tudo aqui é lindo, o Sol sempre brilha e eu to vermelha e com marca de maio, vou voltar gatíssima pro Brasil.
Enfim, não era isso o que eu ia falar, era sobre ser LG. Meu, é uma responsabilidade ABSURDA! A gente aprende o procedimento do CPR (que é como vc salva uma pessoa que não respira e não tem pulso), a usar o desfribilador (ou algo com um nome bem parecido. aquela coisa que tem mó voltagem e aí vc fala: CLEAR!), a salvar pessoas da piscina tipo, de TUDO quanto é jeito. Eu espero sinceramente que o trabalho seja um tédio e que eu não tenha que fazer nada disso.
Amanhã eu tenho prova sobre tudo isso, mas eu acho que é de buenas. (:
Vai ter festinha hoje no meu prédio, é dos meus co-workers, mas eu ainda to pensando seriamente nos prós e nos contras, eu tenho que acordar dez pras sete amanhã e eu JÁ to acabada. Pensando bem, acho que uma passadinha lá não mata ninguém.
Depois de amanhã, eu tenho 4 days off, já combinei de ir no epcot, perder uma tarde inteira no world of disney e etc.
Em suma, é isso. Wish me luck tomorrow. (:
And may de magic (force?) be with you.